Se você acha que ladrões só estão interessados no seu carro inteiro, é melhor rever seus conceitos. Em muitas cidades brasileiras, estacionar na rua pode ser um convite para que criminosos levem peças do seu veículo em poucos segundos — e, em alguns casos, o prejuízo pode ultrapassar milhares de reais.

Engana-se quem pensa que só modelos de luxo ou superesportivos são visados. Até os carros mais populares podem ser vítimas dessa nova onda de furtos pontuais, que cresce a cada dia e atinge desde simples acabamentos até peças valiosas como catalisadores e rodas de liga leve.
Catalisadores: os alvos mais valiosos

Entre os itens mais visados nos últimos anos, os catalisadores ocupam o topo da lista. Apesar de estarem localizados na parte inferior do veículo e exigirem mais esforço para serem removidos, o valor de mercado compensa o risco para os criminosos.
Essas peças contêm metais raros como paládio, platina e ródio, usados para reduzir a emissão de poluentes. São justamente esses materiais que tornam o catalisador uma verdadeira “mina de ouro” no mercado paralelo. Modelos híbridos são ainda mais procurados, já que o sistema de baixa emissão ajuda a preservar a peça por mais tempo.
Roubos discretos: calotinhas e símbolos

Pode parecer inofensivo, mas os pequenos detalhes do seu carro também estão na mira. Calotinhas de rodas de liga leve, logotipos e até o emblema da marca podem ser levados em poucos segundos, muitas vezes sem que o dono perceba imediatamente.
O furto de logotipos, por exemplo, voltou a crescer depois que criminosos descobriram que alguns emblemas escondem sensores caros. O Volkswagen Nivus virou um dos principais alvos: o logotipo dianteiro do modelo integra o radar do sistema ACC (controle de cruzeiro adaptativo). O prejuízo? Pode chegar a R$ 15 mil se o radar também for levado.
E o problema não é exclusivo da VW. Outros fabricantes também escondem sensores atrás de emblemas, tornando qualquer logotipo diferente um chamariz para quem entende do mercado paralelo.
Rodas e pneus: alvos fáceis e lucrativos

Uma das cenas mais tristes para qualquer motorista é encontrar seu carro apoiado em tijolos ou cavaletes. As rodas de liga leve e os pneus viraram mercadorias valiosas, com alto giro entre oficinas e marketplaces informais.
Algumas quadrilhas especializadas atuam de forma extremamente rápida. Em poucos minutos, com a ajuda de parafusadeiras elétricas, eles conseguem desmontar todas as rodas e sumir com o conjunto completo. Para piorar, a maioria dos carros populares vem com parafusos comuns, facilitando ainda mais a ação.
A boa notícia é que existe uma solução simples: os parafusos antifurto, que dificultam bastante a vida dos ladrões. Custam pouco e podem evitar um prejuízo de milhares de reais.
Faróis: furtos que não se limitam aos carros de luxo

Os faróis são componentes caros e relativamente fáceis de remover, especialmente em veículos com montagem mais simples ou antigos. Modelos da Porsche chamaram atenção pela quantidade de furtos registrados, mas essa prática está longe de ser exclusiva da marca alemã.
Lanternas traseiras também entram na lista, principalmente em modelos que já saíram de linha. Como não é fácil encontrar peças originais, donos acabam apelando ao mercado de usados, alimentando o ciclo dos furtos.
Acabamentos: o charme que desaparece

Peças estéticas também não escapam da cobiça. Acabamentos entre as portas, frisos laterais, capas de retrovisores e detalhes em preto piano são levados com facilidade. Versões esportivas ou com apelo visual sofisticado são especialmente visadas.
Essas peças podem parecer pequenas, mas custam caro para repor. Sem falar no trabalho para encontrar substitutos compatíveis, especialmente quando se trata de versões limitadas ou com acabamento exclusivo.
Brucutus e esguichos: um crime com raízes antigas

Os esguichos do limpador de para-brisa, especialmente os famosos “brucutus”, são alvos inusitados, mas não menos comuns. Eles se tornaram objeto de desejo nos anos 60 e 70, durante a era da Jovem Guarda, quando eram usados como pingentes em colares e anéis.
Mesmo com o passar das décadas, essa tradição resiste. Modelos antigos como o Fusca ainda sofrem com furtos de esguichos, que muitas vezes são vendidos em feiras de peças ou usados como decoração por colecionadores.
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Além disso, carros importados das décadas passadas costumam ter limpadores integrados aos faróis, que também somem com facilidade. Não é raro ver Volvos antigos com as portinholas dos limpadores abertas, sinal de que a peça foi levada.
Emblemas e sensores: o golpe sofisticado
O avanço da tecnologia nos veículos também trouxe um novo tipo de vulnerabilidade. Muitos carros hoje possuem sensores, câmeras e radares integrados a componentes externos como grades frontais ou emblemas.
O sistema ACC, por exemplo, precisa de um radar frontal para calcular a distância em relação a outros veículos. Esse radar costuma ficar escondido atrás do logotipo da marca, tornando o emblema um item muito mais caro do que parece.
No Nivus, essa combinação já causou prejuízos de mais de R$ 15 mil a vítimas que tiveram o logotipo e o radar levados juntos. A Volkswagen, ciente do problema, passou a fornecer o conjunto a preço de custo nas concessionárias.
O símbolo da Mercedes e outros alvos de grife

Os símbolos das marcas de luxo também são frequentemente levados, principalmente em modelos antigos com peças mais expostas. O mais conhecido é a estrela da Mercedes-Benz, que por anos enfeitou os capôs dos sedãs da marca.
Preso apenas por um fio de metal, o símbolo pode ser removido rapidamente e tem alto valor entre colecionadores ou quem busca “enfeitar” réplicas e carros mais antigos.
Em carros de luxo mais modernos, como os da Rolls-Royce, o problema já foi resolvido com tecnologia. A icônica “Espírito do Êxtase” da marca britânica se recolhe automaticamente dentro da grade ao ser tocada, frustrando qualquer tentativa de furto.
Estacionar na rua exige atenção redobrada
Diante de tantos itens visados, estacionar na rua se tornou um verdadeiro risco, principalmente durante a noite ou em locais mal iluminados. Embora nem sempre seja possível evitar totalmente os furtos, algumas medidas ajudam a reduzir as chances de se tornar uma vítima.
Evitar deixar o carro em locais desertos, instalar câmeras ou sensores de presença em frente de casa, e até optar por estacionamentos pagos são decisões que podem fazer toda a diferença.
Pequenas ações como instalar parafusos antifurto nas rodas ou até mesmo proteger os emblemas com cola especial ajudam a dificultar a vida dos criminosos.
O carro inteiro não precisa sumir para você ter prejuízo
A realidade é dura: os ladrões não precisam levar seu carro inteiro para causar um grande estrago. Peças aparentemente simples podem render bom dinheiro no mercado paralelo, e o prejuízo para o dono do carro pode ser alto.
Ficar atento aos detalhes e proteger o veículo da melhor forma possível é o primeiro passo para evitar dores de cabeça — e gastos inesperados — cada vez mais comuns nas grandes cidades.
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Redator online do IPVA Consulta, está concluindo o ensino médio. Produz conteúdos informativos e relevantes sobre impostos, documentação e obrigações veiculares, sempre com foco em facilitar a vida do motorista. Interessado em aprender cada vez mais, busca transformar informações técnicas em textos simples e úteis para o dia a dia de quem lida com o IPVA e outros temas do universo automotivo.