Após quatro anos de ausência, o Mitsubishi Outlander está de volta ao Brasil. Agora em sua quarta geração, o SUV chega com uma proposta mais tecnológica e sustentável, apostando na eletrificação para reconquistar o público. Mas, mesmo com visual atualizado, plataforma moderna e sistema híbrido plug-in robusto, o retorno acontece tardiamente: o modelo já circula na Ásia e nos EUA desde 2021. A pergunta que fica é: ainda vale a pena?

Ficha técnica potente e foco na eficiência
Logo de cara, o Outlander 2025 impressiona pela ficha técnica. A potência total do conjunto motriz chega a 306 cv, um crescimento de 33% em relação ao modelo anterior. Esse desempenho é resultado da combinação entre um motor 2.4 a gasolina de 131 cv, de ciclo Atkinson, e dois motores elétricos — um dianteiro com 116 cv e outro traseiro com 136 cv. O câmbio é automático do tipo CVT.
Bateria maior e autonomia de até 85 km
A evolução também aparece na autonomia elétrica, que agora alcança até 85 km, praticamente o dobro do antecessor. Isso é possível graças à nova bateria de íons de lítio com 22,7 kWh de capacidade. A recarga pode ser feita em corrente alternada (AC, até 3,5 kW) ou contínua (DC, até 50 kW), embora o conector CHAdeMO — um padrão japonês — seja menos comum que o CCS amplamente usado no Ocidente.
Nova plataforma e construção mais robusta
Fabricado sobre a moderna plataforma CMF-CD, compartilhada com o Nissan X-Trail, o novo Outlander teve sua rigidez torcional aumentada em cerca de 20%. Essa base estrutural, desenvolvida dentro da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, inclui o uso de alumínio para reforçar a carroceria e reduzir peso. Apesar disso, o SUV ainda pesa 2.070 kg.
Interior espaçoso e recheado de tecnologia
O interior, embora não seja o mais futurista da categoria, é bem resolvido. O painel agrada por mesclar tecnologia com praticidade. Há duas telas de 12,3 polegadas: uma para o quadro de instrumentos e outra para o sistema multimídia. Ambas oferecem excelente definição e são altamente configuráveis. A central traz conectividade sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, além de acesso à internet para atualizações e informações de trânsito em tempo real.

Outro destaque é o head-up display, que projeta dados de velocidade, navegação e segurança no para-brisa. Atrás do pequeno volante multifuncional, as borboletas servem para ajustar o nível da regeneração de energia durante frenagens. Tudo isso reforça a vocação tecnológica do SUV.
Versão topo de linha entrega conforto premium
A versão testada na Europa foi a topo de linha, batizada de “Top”, equipada com sistema de som Yamaha de 12 alto-falantes e 650 watts. A qualidade sonora surpreende, com opções de acústica que simulam ambientes como salas de concerto. Na mesma configuração, os bancos dianteiros oferecem função de massagem, enquanto os traseiros possuem aquecimento e regulagem de temperatura do ar-condicionado.
Espaço para a família e praticidade no dia a dia
O conforto se estende a todos os ocupantes. O entre-eixos de 2,70 metros garante espaço de sobra para pernas e cabeça, inclusive para passageiros com mais de 1,90 m. Os assentos traseiros são fixos, pois as baterias estão posicionadas sob eles, mas oferecem boa visibilidade por serem mais elevados. O único ponto incômodo é o banco central traseiro, que é mais duro e estreito, além da saliência no piso.
No porta-malas, a capacidade é de 495 litros com todos os bancos erguidos, valor inferior ao do rival Toyota RAV4 PHEV, que comporta 520 litros. Com os assentos rebatidos, o espaço salta para 1.404 litros. O amplo teto panorâmico, de série na versão Top, aumenta a sensação de amplitude no interior.
Capacidade off-road e modos de condução variados
Apesar de ser um carro familiar e confortável, o Outlander PHEV também demonstra competência no fora de estrada. A tração integral com o sistema S-AWC (Super All Wheel Control) é uma herança direta da experiência da Mitsubishi em ralis. Esse diferencial ativo pode frear individualmente qualquer uma das rodas, otimizando a tração mesmo em terrenos escorregadios.
A condução no entorno de Lisboa, com estradas asfaltadas e trechos de terra, mostrou que o SUV se adapta bem a diversos tipos de piso. Há sete modos de condução: Normal, Asfalto, Cascalho, Lama, Neve, Eco e Potência. Eles atuam sobre a direção, resposta do motor, ABS, controle de tração e distribuição de torque. O motorista pode ainda alternar entre quatro modos de operação do sistema híbrido: EV, Charge, Save e o modo automático (Normal).
Desempenho acima da média para um SUV híbrido
O desempenho também agrada. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 7,9 segundos, número respeitável para um SUV híbrido com mais de duas toneladas. A velocidade máxima é de 170 km/h no modo híbrido e 135 km/h apenas com propulsão elétrica. A suspensão independente nas quatro rodas, com multibraços atrás, contribui para o bom equilíbrio entre estabilidade e conforto. Segundo a Mitsubishi, houve uma redução de 18% na rolagem da carroceria em relação à geração anterior.
Design mais imponente, com detalhes sofisticados
Visualmente, o novo Outlander é mais robusto e imponente, com linhas musculosas e elementos cromados. As rodas de 20 polegadas reforçam a pegada premium, assim como os detalhes em couro natural ou sintético no painel, portas e bancos. Apenas alguns elementos destoam da boa execução, como o acabamento do retrovisor interno e a ausência de revestimento no fundo das bolsas das portas e no porta-luvas.
Mercado aquecido e chegada tardia preocupam
Mesmo com tantos predicados, o Outlander chega ao mercado brasileiro em um momento delicado. O segmento de SUVs híbridos plug-in está em ascensão, mas a concorrência já se modernizou. Modelos como o Toyota RAV4 PHEV e o Volvo XC60 Recharge já se consolidaram, enquanto o Outlander ainda carrega o estigma de ter demorado para chegar. Além disso, uma nova geração do modelo já começa a ser cogitada para daqui a dois anos, o que pode desestimular alguns compradores mais atentos ao ciclo de vida dos veículos.
Outro fator que pode pesar é o valor. Com preço estimado em R$ 394 mil, o Outlander PHEV é mais caro que a maioria dos concorrentes diretos. Ainda assim, oferece um pacote honesto de tecnologia, desempenho e espaço interno. A aposta da Mitsubishi é que o nome forte do modelo, aliado à tradição 4×4 da marca, sejam suficientes para garantir uma fatia relevante do mercado.

Bom produto, mas fora do tempo
O retorno do Outlander ao Brasil não é apenas um relançamento, mas uma tentativa da Mitsubishi de se reposicionar em um segmento cada vez mais competitivo. A boa notícia é que o produto tem qualidade para isso. A má notícia é que o tempo não para, e no mundo dos SUVs eletrificados, dois anos podem parecer uma eternidade.
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Um jovem que está iniciando sua vida no mundo automobilístico, carregando uma enorme paixão sobre o assunto. Se formou no Ensino Médio em 2023 e pretende se ingressar em uma faculdade. Um jovem que nos tempos vagos, se interessa em fazer atividades familiares.