O setor automotivo brasileiro está passando por uma transformação silenciosa, mas profunda — e no centro dessa mudança está a GWM. Em apenas um ano, a marca chinesa conseguiu não apenas consolidar sua presença no mercado nacional como também mostrar que é possível competir com gigantes tradicionais do setor com uma estratégia moderna, centrada em tecnologia, inovação e sustentabilidade.
A Great Wall Motor (GWM) encerrou o primeiro semestre de 2025 com um crescimento de quase 20% em comparação ao mesmo período de 2024, atingindo 15.261 unidades emplacadas. Em um mercado que teve um avanço tímido de 3% no segmento de veículos leves, o salto da marca chama atenção e a coloca como protagonista entre as fabricantes que apostam na eletrificação como caminho para o futuro.

Mas o sucesso da GWM não se resume a números. Ele revela uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro e aponta para uma nova fase da indústria automotiva no país, cada vez mais aberta à inovação e menos dependente de velhas fórmulas.
Haval H6 domina o mercado de híbridos e muda o jogo
O grande trunfo da GWM no Brasil atende pelo nome de Haval H6. O SUV, oferecido nas versões híbrida convencional (HEV) e híbrida plug-in (PHEV), se tornou o modelo eletrificado mais vendido do país em 2025. No acumulado dos primeiros seis meses do ano, foram 12.675 unidades comercializadas — ou seja, mais de 80% de todo o volume da GWM no período. Só em maio foram 2.497 exemplares emplacados.
A explicação para esse sucesso vai além do design ou da ficha técnica. O Haval H6 conquistou o público ao unir desempenho, eficiência energética, conforto e preço competitivo em um segmento cada vez mais concorrido. Enquanto muitas marcas ainda tateiam o terreno da eletrificação, a GWM chegou com um produto completo, bem posicionado e com alta disponibilidade de unidades — algo raro em modelos híbridos e elétricos vendidos no país.
Além disso, o H6 simboliza uma mudança importante na forma como o brasileiro vê os carros eletrificados: não mais como algo inacessível ou experimental, mas como uma escolha racional e vantajosa no médio e longo prazo.
Tank 300: o off-road chinês que chegou devagar, mas com impacto
Outro nome que vem ganhando força no portfólio da GWM é o Tank 300. Lançado em abril de 2025, o modelo chegou ao país com uma proposta ousada: oferecer um utilitário off-road robusto, com pegada de luxo e tecnologias embarcadas, por um preço mais competitivo que seus rivais diretos.
Apesar do pouco tempo de mercado, o Tank 300 já soma 1.218 unidades vendidas, o que revela não apenas a força da marca, mas também seu potencial para atuar em nichos diversificados. A resposta do público foi rápida e positiva, confirmando que há espaço para produtos mais especializados, desde que tragam atributos claros de valor.
Estratégia centrada no consumidor e inovação tecnológica
De acordo com Diego Fernandes, COO da GWM Brasil, o crescimento da marca está diretamente relacionado à sua abordagem estratégica. “Nosso foco é combinar tecnologia de ponta com uma experiência de compra e pós-venda que respeite o consumidor brasileiro”, afirmou o executivo. Para ele, o sucesso do Haval H6 prova que o mercado nacional está mais receptivo a novas propostas, e o Tank 300 reforça a capacidade da empresa de diversificar sem perder competitividade.

Mais do que lançar carros, a GWM quer construir um ecossistema completo no Brasil. E para isso, os próximos passos da empresa são ambiciosos: começa já no segundo semestre de 2025 com o início da produção nacional em Iracemápolis, interior de São Paulo.
Fábrica em Iracemápolis: produção local e futuro flex
A nova planta da GWM, instalada onde antes funcionava a fábrica da Mercedes-Benz, será responsável por produzir o Haval H6 nas versões híbrida e híbrida plug-in. Mas há mais: está em desenvolvimento uma versão flex do modelo, que deve chegar ao mercado em 2026. A aposta da marca é atender às demandas locais e ampliar ainda mais sua competitividade.
A planta também vai fabricar dois modelos inéditos no Brasil: a picape Poer P30 e o SUV de sete lugares Haval H9, ambos com motorizações diesel. Com capacidade inicial de 30 mil veículos por ano, a estrutura foi projetada para atingir 50 mil unidades anuais até 2026. A nacionalização de peças será progressiva, e a pintura dos carros será totalmente realizada em solo brasileiro.
Esses passos visam fortalecer a presença da GWM no país e reduzir custos de produção, tornando os modelos ainda mais atrativos frente à concorrência nacional e estrangeira.
Investimento bilionário e geração de empregos
O projeto de expansão da GWM no Brasil não é modesto: ao todo, a empresa vai investir R$ 10 bilhões até 2032. Desse montante, R$ 4 bilhões serão aplicados até 2026, com foco na instalação da fábrica, desenvolvimento de tecnologias locais, criação de um centro de engenharia e P&D e ampliação da rede de concessionárias.
Os outros R$ 6 bilhões fazem parte da segunda etapa, que contempla a consolidação da marca, novos lançamentos e desenvolvimento de soluções sustentáveis. A empresa também prevê criar uma fundação voltada para ações de responsabilidade social, demonstrando que sua atuação no Brasil vai além da simples comercialização de automóveis.
Rede em expansão e presença nacional
Para dar suporte ao crescimento das vendas e à entrada de novos produtos, a GWM planeja expandir sua rede de concessionárias. Atualmente com 104 pontos de atendimento, a marca projeta chegar a 130 até o fim de 2025, cobrindo todas as principais regiões do país.
Esse crescimento será fundamental para garantir não apenas a capilaridade necessária para uma operação nacional, mas também a qualidade no atendimento e manutenção dos veículos, algo vital para conquistar a confiança do consumidor brasileiro no médio e longo prazo.
Concorrência que se cuide: as chinesas vieram para ficar
O movimento da GWM não é isolado. Outras marcas chinesas como BYD, GAC e Geely também estão de olho no Brasil e já anunciaram investimentos robustos para os próximos anos. Mas até agora, nenhuma delas conseguiu reproduzir a fórmula da GWM com tanta eficácia.
A combinação entre variedade de produtos, atenção ao consumidor, produção local, e forte investimento em infraestrutura dá à GWM uma vantagem competitiva significativa. Ela já não é apenas “mais uma montadora chinesa”. É uma marca consolidada, com visão estratégica e ambição de liderança.

O que esperar da GWM no segundo semestre de 2025?
Com a produção local começando em breve, novas versões chegando e a expansão da rede comercial em ritmo acelerado, o segundo semestre promete ser ainda mais decisivo para o futuro da GWM no Brasil. A entrada da versão flex do Haval H6 e a chegada da Poer P30 devem ampliar ainda mais o alcance da marca entre consumidores que ainda hesitam em adotar os híbridos ou elétricos.
Além disso, a instalação de um centro de engenharia nacional pode ser o diferencial para o desenvolvimento de produtos 100% adaptados à realidade brasileira, algo que nenhuma marca chinesa conseguiu realizar com sucesso até o momento.
Um jovem que está iniciando sua vida no mundo automobilístico, carregando uma enorme paixão sobre o assunto. Se formou no Ensino Médio em 2023 e pretende se ingressar em uma faculdade. Um jovem que nos tempos vagos, se interessa em fazer atividades familiares.