Imagine uma moto compacta, leve, moderna, com tecnologia de ponta, baixo custo de manutenção e que ainda faz impressionantes 64 km por litro de combustível. Agora imagine que essa belezinha existe, já está em produção, mas não virá para o Brasil.

É exatamente isso que acontece com a nova Honda CB125F 2026, um modelo que conquistou o público em diversos países da Europa e da Ásia, mas que segue fora dos planos da marca japonesa para o mercado brasileiro. E não é por falta de qualidades. A CB125F chega com um pacote de equipamentos que a coloca em outro patamar dentro do segmento de motos de entrada.
A 125 que roda mais de 700 km com um tanque
Um dos grandes destaques da nova CB125F é o seu consumo absolutamente fora do comum. Segundo a própria Honda, a moto pode ultrapassar os 700 km de autonomia com um tanque cheio, que comporta 11 litros de combustível. Isso representa média de 64 km por litro, algo que parece inimaginável em tempos de gasolina cara.
Claro, os dados são baseados em testes realizados sob condições ideais, geralmente difíceis de replicar no uso cotidiano. Ainda assim, mesmo que a média real caia para a casa dos 50 km/l, a CB125F continuaria sendo uma das motos mais econômicas do mundo.
Esse consumo é resultado de um motor otimizado, peso reduzido e tecnologias que ajudam a cortar o gasto desnecessário de combustível, como o sistema Idle Stop, que desliga o motor automaticamente quando a moto está parada por alguns segundos, religando ao menor toque na embreagem.
Tecnologia de gente grande em uma 125cc
Não é só na economia de combustível que a CB125F chama atenção. A nova geração da moto traz recursos tecnológicos que ainda são raridade entre as motos de baixa cilindrada, especialmente no Brasil.
O painel digital TFT colorido de 4,2 polegadas, por exemplo, é algo mais comum em modelos acima de 500 cc. Na CB125F, ele é completo, moderno e permite uma leitura clara das informações, com excelente contraste em qualquer condição de luz.

Mas o diferencial mesmo está na conectividade. O painel é compatível com o sistema Honda RoadSync, que possibilita parear a moto com o smartphone. Com isso, o piloto pode gerenciar chamadas, mensagens e até ouvir música usando comandos no guidão, desde que esteja equipado com fones compatíveis no capacete. Há ainda uma entrada USB-C para carregar o celular, um mimo que nem sempre se encontra em motos maiores.
Visual renovado e com apelo urbano
Além da parte tecnológica, a Honda também deu uma repaginada no visual da CB125F. O design agora transmite mais robustez, mesmo sendo uma moto leve e compacta. As carenagens laterais estão mais angulosas, com linhas esportivas que remetem a modelos maiores da linha.
Toda a iluminação é em LED, incluindo o farol, lanterna traseira e indicadores de direção. O visual moderno é complementado por novas opções de cores, como o Imperial Red Metallic, Matte Marvel Blue Metallic e Matt Axis Gray Metallic.
É uma moto urbana, sem dúvida, mas que agora parece mais próxima de modelos médios, tanto na estética quanto nos recursos embarcados.
Motorização simples, mas eficiente
Apesar de todos esses avanços, a base mecânica da CB125F continua simples, o que é um ponto positivo. O motor é um monocilíndrico de 124 cc, com potência de 10,8 cv a 7.500 rpm e torque de 1,11 kgfm a 6.000 rpm. A transmissão é manual, com cinco marchas, e a tração é por corrente.
É um conjunto pensado para deslocamentos urbanos, trajeto até o trabalho ou faculdade, pequenos trechos em estradas secundárias e uso diário com baixo custo. A proposta não é de desempenho, mas de eficiência e confiabilidade.

Com o Idle Stop ativado, o consumo fica ainda mais baixo no trânsito pesado, típico de grandes cidades europeias. O sistema ajuda também na redução de emissões, o que se encaixa perfeitamente na proposta da moto e nas exigências ambientais da norma Euro 5+, que já está em vigor na Europa.
O que ela representa fora do Brasil
A CB125F tem sido bem recebida em países onde o uso de motocicletas como meio de transporte urbano é incentivado. Ela é vista como uma opção racional, moderna e econômica para quem está começando a pilotar ou simplesmente busca uma alternativa ao carro.
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Seu preço também ajuda a torná-la acessível. Na Inglaterra, por exemplo, ela parte de 3.299 libras, o que dá cerca de R$ 24 mil na conversão direta. Para efeito de comparação, a Honda Super Cub C125, que tem uma proposta parecida com a Biz, custa 3.999 libras, ou seja, R$ 700 libras a mais.
Com esse posicionamento, a CB125F se encaixa em uma faixa de entrada, mas oferece muito mais do que a concorrência costuma entregar.
Por que o Brasil ficou de fora?
Apesar do sucesso no exterior, a Honda não manifestou nenhuma intenção oficial de trazer a CB125F para o Brasil. E os motivos vão além do simples custo.
O mercado brasileiro de motos de baixa cilindrada é dominado por modelos consagrados como CG 160, Titan, Fan e a própria Biz. Esses modelos já possuem produção local, cadeia de fornecedores estabelecida e grande aceitação entre os consumidores.
Trazer a CB125F exigiria adaptar toda essa cadeia, além de enfrentar questões tributárias e de homologação. E mesmo que ela fosse oferecida com o mesmo nível de tecnologia, o preço final provavelmente ficaria acima da média das concorrentes locais, o que poderia afetar suas vendas.

Além disso, a presença de sistemas como o RoadSync e o painel TFT exigiria atualizações nos centros técnicos, treinamento de mecânicos e estrutura de pós-venda que ainda não está totalmente preparada para esse tipo de recurso nas cilindradas mais baixas.
Um vislumbre do futuro?
A ausência da CB125F por aqui não significa que o Brasil ficará para sempre sem acesso a esse tipo de tecnologia. Pelo contrário, o modelo mostra qual caminho a Honda pode seguir para renovar sua linha de baixa cilindrada no futuro.
A tendência é que, com o tempo, recursos como painel TFT, conectividade, iluminação full LED e até o Idle Stop se tornem mais comuns, mesmo em motos populares. Isso já pode ser visto nas scooters mais recentes, como a PCX 160 e ADV 160, que utilizam o sistema Stop & Start com bastante eficiência.
Se houver demanda suficiente e uma movimentação do mercado por motos mais conectadas e tecnológicas, a Honda pode sim considerar um projeto semelhante à CB125F para o Brasil. Mas, até lá, resta aos brasileiros apenas admirar à distância o modelo que roda mais de 60 km por litro com muito estilo e sofisticação.
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Redator online do IPVA Consulta, está concluindo o ensino médio. Produz conteúdos informativos e relevantes sobre impostos, documentação e obrigações veiculares, sempre com foco em facilitar a vida do motorista. Interessado em aprender cada vez mais, busca transformar informações técnicas em textos simples e úteis para o dia a dia de quem lida com o IPVA e outros temas do universo automotivo.