O carro elétrico ainda é o sonho de consumo de muitos brasileiros. Silencioso, moderno e livre de emissões, ele simboliza o futuro da mobilidade. No entanto, quando chega o momento decisivo de fechar negócio, a realidade fala mais alto — e esse futuro, muitas vezes, é adiado. A preferência inicial pelos veículos 100% elétricos frequentemente dá lugar a escolhas mais práticas, como os híbridos convencionais e os híbridos plug-in.
Encomendado pela Abeifa, que acompanhou o passo a passo dos consumidores interessados em carros eletrificados no Brasil. A pesquisa expôs um contraste entre o desejo e a decisão final, destacando os desafios que ainda freiam a adoção em massa dos elétricos puros.

Quando o sonho encontra os desafios do dia a dia
No início da jornada de compra, a empolgação com a ideia de um veículo totalmente elétrico é quase unânime. Em 2022, 95% dos consumidores que buscavam eletrificados tinham os elétricos puros como primeira opção. Essa preferência ainda era alta em meados de 2023, com 70% dos interessados focados nos modelos 100% elétricos.
Mas, ao longo da busca, fatores práticos começam a pesar. O entusiasmo inicial vai cedendo espaço para preocupações com a infraestrutura de recarga, a autonomia real e o preço elevado. O resultado? Apenas 34% dos consumidores que iniciaram a pesquisa pensando em um elétrico puro realmente finalizam a compra desse tipo de veículo.
Híbridos crescem como escolha final
O estudo mostra uma inversão no comportamento do consumidor. Enquanto o interesse pelos elétricos diminui ao longo da jornada, os híbridos ganham cada vez mais espaço. Os veículos híbridos convencionais (HEV), que representam uma tecnologia intermediária entre o carro a combustão e o elétrico puro, passaram de apenas 5% de intenção de compra em 2022 para 65% das decisões em 2024.
Já os híbridos plug-in (PHEV), que permitem rodar no modo 100% elétrico por curtas distâncias e são recarregados na tomada, também começaram a ganhar terreno, representando cerca de 5% das escolhas finais.
Essa mudança revela uma realidade clara: apesar do fascínio pelo elétrico, o consumidor brasileiro ainda opta por tecnologias que se adaptam melhor ao seu cotidiano.
A infraestrutura ainda não acompanha o desejo
Uma das maiores barreiras para a adoção dos elétricos puros no Brasil é a falta de estrutura. Apesar dos avanços pontuais, a rede pública de recarga ainda é muito limitada, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Cidades menores, onde muitos brasileiros vivem, contam com pouquíssimos ou nenhum ponto de carregamento.
Além disso, muitos edifícios residenciais não estão preparados para a instalação de carregadores, como os wallboxes. E mesmo quando há possibilidade técnica, o custo e a burocracia da adaptação desanimam boa parte dos compradores.
Medo da autonomia e do imprevisto
Outro fator que gera insegurança é a chamada “ansiedade de autonomia” — o receio de que a bateria acabe antes de se chegar ao destino. Esse medo é especialmente relevante em um país com dimensões continentais e com infraestrutura precária. Mesmo com modelos que oferecem 300 ou 400 km de autonomia, muitos brasileiros ainda se sentem mais seguros com um carro que possa ser abastecido com facilidade, em qualquer posto de gasolina.

Esse temor ganha força em famílias que fazem viagens frequentes ou dependem do carro para longos deslocamentos. Nessas situações, o híbrido se mostra mais viável.
Preço ainda é um obstáculo considerável
Embora os preços dos carros elétricos venham caindo nos últimos anos, eles continuam acima da média do mercado. Um elétrico de entrada ainda custa mais que muitos SUVs médios ou sedãs convencionais. Já os híbridos, especialmente os modelos fabricados localmente, vêm conquistando espaço com preços mais competitivos.
A nacionalização da produção de híbridos por marcas como Toyota, BYD e GWM ajudou a tornar essa tecnologia mais acessível. Modelos como o Corolla Cross híbrido, o BYD Song Plus e o Haval H6 se destacam nas vendas justamente por unirem eficiência, tecnologia e custo-benefício.
Híbridos convencionais viram protagonistas
Os híbridos convencionais se firmaram como a porta de entrada para a eletrificação no Brasil. Combinando motores a combustão e elétrico, eles entregam boa economia de combustível, principalmente em ambientes urbanos, sem exigir infraestrutura de recarga.
O motorista não precisa mudar sua rotina: basta abastecer normalmente no posto. Ainda assim, há benefícios como menor consumo e emissões reduzidas, especialmente no trânsito intenso, onde o motor elétrico trabalha mais.
Plug-in: uma transição possível
Embora ainda representem uma fatia pequena do mercado, os híbridos plug-in despertam o interesse de quem deseja experimentar um pouco do universo dos elétricos, mas ainda não está pronto para a transição total.
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Esses modelos permitem recarga em casa e rodam até 50 km no modo 100% elétrico — ideal para trajetos diários curtos. Quando a carga acaba, o motor a combustão entra em ação. Assim, eles combinam o melhor dos dois mundos: economia e segurança.
A expectativa para os próximos anos
Apesar dos desafios atuais, o setor está otimista. A tendência é que, nos próximos anos, a infraestrutura de recarga evolua com mais rapidez. Diversas empresas vêm investindo na ampliação da rede pública, inclusive com parcerias entre montadoras e empresas de energia.
Além disso, os incentivos fiscais e a chegada de novos modelos mais acessíveis devem estimular o crescimento dos elétricos puros. O governo já estuda medidas para impulsionar a produção local e atrair investimentos estrangeiros para esse segmento.
As projeções indicam que, até 2027, o Brasil pode ultrapassar a marca de 1 milhão de veículos eletrificados vendidos, com os elétricos puros ganhando fatias maiores do mercado à medida que os entraves forem sendo superados.
A importância de entender o consumidor
Percebemos que o consumidor brasileiro está disposto a migrar para soluções mais sustentáveis. No entanto, ele é pragmático. Avalia riscos, estrutura, custos e compatibilidade com sua rotina. E, nesse cenário, os híbridos aparecem como a alternativa mais sensata no momento.
Para as montadoras e concessionárias, compreender esse comportamento é essencial. Oferecer opções variadas, esclarecer dúvidas e facilitar o acesso à informação são estratégias importantes para manter o consumidor engajado e confiante na eletrificação.

O futuro ainda é elétrico, mas passa pelos híbridos
O carro elétrico continua sendo o objetivo final de muitos brasileiros. Mas até que a estrutura esteja pronta e os preços mais acessíveis, o híbrido se consolida como o elo entre o presente e o futuro.
Ele é o compromisso entre sustentabilidade e viabilidade, entre sonho e realidade. E, por isso, conquista cada vez mais espaço nas garagens do país. A revolução elétrica no Brasil talvez não aconteça de uma vez, mas ela já começou — e o híbrido é o primeiro passo firme nessa direção.
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Um jovem que está iniciando sua vida no mundo automobilístico, carregando uma enorme paixão sobre o assunto. Se formou no Ensino Médio em 2023 e pretende se ingressar em uma faculdade. Um jovem que nos tempos vagos, se interessa em fazer atividades familiares.