O setor automotivo brasileiro está prestes a encarar uma virada de chave importante. Após a publicação do decreto que regulamenta o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), o governo federal já trabalha nos bastidores para implementar a próxima etapa dessa transformação: o IPI Verde.
A informação veio diretamente do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Em uma reunião com representantes da Anfavea, a associação que reúne as montadoras instaladas no Brasil, Alckmin sinalizou que o novo decreto está praticamente pronto e deve ser o próximo a ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

IPI baseado na eficiência: um novo critério para tributar
A ideia central do IPI Verde é simples, mas com implicações profundas: ao invés de definir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) com base apenas na cilindrada do motor — como é feito atualmente —, o novo modelo irá privilegiar a eficiência energética dos veículos. Isso significa que carros mais econômicos e menos poluentes pagarão menos impostos, independentemente do tamanho do motor.
Essa mudança poderá mexer significativamente com o mercado, afetando tanto os consumidores quanto as estratégias das montadoras. Até então, motores 1.0 eram os grandes favorecidos por alíquotas menores, o que garantiu uma vantagem competitiva a modelos com esse tipo de motorização. Alguns veículos, inclusive, foram projetados para aproveitar ao máximo essa brecha fiscal, mesmo que isso implicasse em consumo elevado para o padrão da categoria.
Carros 1.0 turbo e o paradoxo da eficiência
O avanço tecnológico dos últimos anos fez com que motores 1.0 turbo com injeção direta se tornassem alternativas bastante potentes e modernas. Muitos desses modelos acabaram substituindo propulsores maiores, com desempenho equivalente ou até superior, mas mantendo o benefício fiscal. No entanto, nem sempre esses motores entregam o menor consumo real, o que acaba distorcendo a lógica de eficiência que o IPI reduzido deveria promover.
É justamente essa distorção que o IPI Verde pretende corrigir. Em vez de premiar simplesmente a cilindrada, o novo critério irá olhar para o que realmente importa: quão eficiente é o carro em termos de consumo e emissões. Modelos que queimam menos combustível e liberam menos poluentes no ar terão tratamento tributário diferenciado. E isso poderá incluir carros híbridos, elétricos ou mesmo a combustão, desde que sejam comprovadamente econômicos.
Resistência superada e sinal verde para o novo imposto
A proposta, que já chegou a ser desacreditada por conta da resistência do Ministério da Fazenda, ganhou força com o apoio firme de Alckmin. O ministro deixou claro que a pauta do IPI Verde está no radar do governo e que será prioridade nas próximas semanas.

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Em tom bem-humorado, Alckmin fez até uma analogia com os antigos cinemas, dizendo que, assim como nas matinês que pediam ao público para voltar no domingo seguinte, os brasileiros devem se preparar para novidades importantes na próxima semana — uma clara referência à assinatura iminente do novo decreto.
Expectativas do mercado e possíveis critérios técnicos
Ainda não se sabe exatamente como será a fórmula do IPI Verde. O texto oficial não foi divulgado e, por isso, o mercado segue na expectativa. O que se espera, no entanto, é que critérios como consumo em km/l e emissão de CO₂ por quilômetro rodado estejam entre os indicadores usados para definir as faixas do imposto.
Especialistas apontam que a medida pode estimular a inovação e empurrar as montadoras para um novo patamar de eficiência tecnológica. Ao invés de adaptar modelos apenas para cumprir exigências burocráticas ou se encaixar em faixas de impostos, as marcas terão incentivo direto para desenvolver carros realmente eficientes.
Consumidores podem ser os grandes beneficiados
Com isso, o consumidor também sai ganhando. A tendência é que surjam mais opções de veículos econômicos, com tecnologias modernas e, quem sabe, com preços mais acessíveis graças à redução do IPI. Além disso, a medida se alinha com os compromissos ambientais do Brasil, que busca reduzir emissões de carbono no setor de transportes.

Ainda há dúvidas sobre como o mercado reagirá a essa possível mudança, especialmente no caso dos modelos que hoje usufruem de benefícios fiscais sem serem, de fato, os mais eficientes. Mas uma coisa é certa: o IPI Verde pode ser o empurrão que faltava para acelerar a transformação sustentável da frota brasileira.
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Um jovem que está iniciando sua vida no mundo automobilístico, carregando uma enorme paixão sobre o assunto. Se formou no Ensino Médio em 2023 e pretende se ingressar em uma faculdade. Um jovem que nos tempos vagos, se interessa em fazer atividades familiares.