A expansão do sistema de pedágio eletrônico Free Flow no Brasil trouxe mais fluidez ao trânsito, mas também abriu espaço para uma nova onda de golpes digitais. Em 2026, motoristas de diferentes regiões do país passaram a relatar cobranças falsas feitas por sites fraudulentos que simulam plataformas oficiais de concessionárias rodoviárias.
O esquema já envolve mais de 50 páginas falsas ativas na internet, criadas especificamente para enganar quem tenta regularizar a cobrança do pedágio sem cancela. O problema cresce à medida que o modelo Free Flow se populariza e muitos condutores ainda não dominam totalmente o funcionamento do sistema.

Sistema Free Flow
O Free Flow é um modelo de cobrança automática de pedágio que dispensa praças físicas e cancelas. Sensores e câmeras instalados em pórticos identificam a placa do veículo no momento da passagem e registram a cobrança de forma eletrônica.
O pagamento pode ser feito automaticamente por meio de tags veiculares ou posteriormente, quando o motorista não possui o dispositivo. Nesse caso, é necessário acessar o canal oficial da concessionária responsável pelo trecho para consultar e quitar o débito dentro do prazo legal.
Brecha explorada
A necessidade de consulta posterior abriu espaço para a ação de golpistas. Criminosos criaram sites falsos que imitam com precisão as páginas oficiais, utilizando nomes semelhantes aos das concessionárias, logotipos copiados e layout quase idêntico ao original.
Ao acessar essas páginas, o motorista é induzido a informar a placa do veículo. Em muitos casos, o site exibe dados reais, como modelo do carro e local da suposta passagem, o que aumenta a credibilidade da fraude e leva o usuário a acreditar que a cobrança é legítima.
Pagamento falso
Após a consulta, o site fraudulento apresenta um valor a ser pago e oferece, quase sempre, a opção de PIX como forma de quitação imediata. O pagamento é direcionado a contas de pessoas físicas ou empresas inexistentes, sem qualquer vínculo com as concessionárias.
O motorista acredita que regularizou a situação, mas o débito verdadeiro permanece em aberto no sistema oficial. Além do prejuízo financeiro, o condutor fica exposto a penalidades legais por não quitar o pedágio dentro do prazo correto.
Multa real
A consequência mais grave ocorre quando o débito legítimo não é pago dentro do período estipulado pela legislação. Nesse caso, o motorista pode ser enquadrado por evasão de pedágio, infração classificada como grave.
A penalidade inclui multa no valor de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação. Ou seja, além de perder dinheiro ao cair no golpe, o condutor ainda corre o risco de sofrer sanções administrativas e complicações no licenciamento do veículo.
Anúncios pagos
Um dos fatores que impulsionam o golpe é o uso de anúncios patrocinados em mecanismos de busca. Muitas páginas falsas aparecem entre os primeiros resultados, o que leva o usuário a acreditar que se trata de um site confiável.
Especialistas em segurança digital alertam que golpistas investem em estratégias de SEO e publicidade paga justamente para capturar motoristas que buscam termos como “pagar pedágio Free Flow” ou “consulta de pedágio pela placa”.
URLs enganosas
Outro ponto de atenção é o endereço eletrônico dessas páginas. Em muitos casos, a URL contém palavras como “freeflow”, “pedágio” ou o nome da rodovia, criando uma falsa sensação de oficialidade.
No entanto, os sites legítimos pertencem exclusivamente às concessionárias responsáveis pelos trechos ou a plataformas governamentais. Domínios estranhos, com nomes longos ou variações incomuns, são fortes indícios de fraude.
PIX suspeito
Um dos sinais mais claros do golpe está na identificação do recebedor do PIX. Concessionárias oficiais utilizam contas registradas em nome da própria empresa, com CNPJ conhecido e facilmente verificável.
Quando o pagamento é direcionado a uma pessoa física ou a uma empresa sem relação clara com a rodovia, o risco de fraude é altíssimo. Conferir o nome do destinatário antes de concluir a transação é uma etapa fundamental para evitar prejuízos.
Dados vazados
O fato de os sites falsos exibirem informações reais levanta suspeitas sobre o uso de bases de dados vazadas ou cruzamento ilegal de informações públicas. Embora as concessionárias afirmem que seus sistemas são seguros, investigações apontam que dados básicos de veículos podem ser obtidos por meios ilícitos.
Isso torna o golpe ainda mais perigoso, pois o motorista vê informações corretas e tende a confiar na cobrança apresentada, mesmo sem verificar a origem do site.
Canais oficiais
Para evitar cair no golpe, a principal orientação é acessar exclusivamente os canais oficiais das concessionárias responsáveis pelo trecho percorrido. Essas informações estão disponíveis nos sites institucionais das empresas e em comunicados dos governos estaduais.
Outra alternativa segura é utilizar aplicativos oficiais ou plataformas governamentais que concentram a consulta de débitos do Free Flow, reduzindo a necessidade de buscas aleatórias na internet.
Uso de tags
Especialistas também recomendam o uso de tags automáticas de pagamento, como as oferecidas por operadoras conhecidas do mercado. Com o dispositivo instalado no veículo, a cobrança é feita automaticamente, sem necessidade de consultas manuais ou pagamentos posteriores.
Além da praticidade, a tag reduz drasticamente a exposição a golpes, já que o motorista não precisa acessar sites externos para regularizar o pedágio.
Falta informação
Apesar dos alertas, muitos motoristas ainda desconhecem detalhes importantes sobre o funcionamento do Free Flow, como prazos para pagamento, formas corretas de consulta e consequências do não pagamento.
A ausência de totens físicos em alguns trechos e a comunicação ainda limitada contribuem para a confusão, criando um ambiente favorável para a atuação de criminosos digitais.
Investigação ativa
Autoridades e empresas do setor afirmam que monitoram ativamente os sites fraudulentos e trabalham para derrubá-los, mas reconhecem que novos domínios surgem rapidamente, dificultando o combate definitivo ao golpe.
Enquanto isso, a conscientização dos motoristas segue sendo a principal arma contra esse tipo de fraude, especialmente em um cenário de rápida digitalização dos serviços rodoviários.
Atenção redobrada
O avanço do pedágio eletrônico é uma tendência irreversível no Brasil, mas exige atenção redobrada por parte dos condutores. Em 2026, o golpe do Free Flow se consolidou como uma das fraudes mais sofisticadas envolvendo o setor automotivo.
Desconfiar de cobranças inesperadas, evitar anúncios patrocinados e confirmar sempre a autenticidade dos canais de pagamento são atitudes essenciais para não transformar a comodidade do sistema em prejuízo financeiro e dor de cabeça legal.
Veja mais: Goiás surpreende e zera IPVA de motos, mas poucos sabem quem tem direito
Redator online do IPVA Consulta, está concluindo o ensino médio. Produz conteúdos informativos e relevantes sobre impostos, documentação e obrigações veiculares, sempre com foco em facilitar a vida do motorista. Interessado em aprender cada vez mais, busca transformar informações técnicas em textos simples e úteis para o dia a dia de quem lida com o IPVA e outros temas do universo automotivo.